Site paga em criptomoedas por posts pró-Flávio; denúncia vai à PGE

Site paga em criptomoedas por posts pró-Flávio; denúncia vai à PGE

por R2Sites

Publicado em 08/10/2026,

às 00h00

Começou a circular esta semana um site que vende criptomoedas e promete distribuir tokens a usuários que compartilhem mensagens favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à Presidência da República. A iniciativa virou alvo de denúncias e questionamentos jurídicos por possíveis irregularidades na propaganda eleitoral online.

O texto publicado no site afirma tratar-se de “um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajuda às Hyperkids a concluir sua casa em Kampala”, segundo reportagem divulgada nesta quinta-feira (8). O perfil das Hyperkids, grupo de crianças e adolescentes de Uganda conhecido por vídeos de dança, aparece na divulgação e tem quase 13 milhões de seguidores, segundo o material.

No vídeo de apresentação divulgado na plataforma, as crianças dizem que o token tem objetivo de apoiar o Brasil.

“um novo token e o objetivo dele é ajudar o Brasil”

Ao final da peça, são citados os nomes do deputado Nikolas Ferreira, do candidato Flávio Bolsonaro e do empresário Pablo Marçal, que recentemente passou a integrar a campanha. O site também afirma que a distribuição dos tokens é independente de voto ou preferência eleitoral e que o projeto não tem vínculo oficial com qualquer político, partido ou candidatura.

“a distribuição de tokens é independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda eleitoral”

O episódio suscitou questionamentos sobre a legalidade da iniciativa à luz da legislação eleitoral. O Artigo 57‑C da Lei das Eleições, de 30 de setembro de 1997, veda a veiculação de propaganda eleitoral paga na internet, excetuando o impulsionamento de conteúdos identificado de forma inequívoca e contratado por partidos, coligações, candidatos ou seus representantes.

O pesquisador Paulo Rená, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, avaliou que a ação pode apresentar ilegalidade por prometer vantagem econômica vinculada a campanha eleitoral e por possível tentativa de burlar a fiscalização.

“As questões que ficam é saber quem está organizando e se a campanha tem conhecimento da iniciativa. O fato de ela não ter nenhuma vinculação com o Brasil e não estar direcionada a uma causa nacional pode levar a crer também que seja uma estratégia para burlar a legislação eleitoral e também a fiscalização desse tipo de iniciativa”

A campanha de Flávio Bolsonaro declarou desconhecer a autoria do site e informou que vai tomar medidas judiciais nas esferas eleitoral, cível e criminal para a derrubada da página, além de negar a contratação de perfis para divulgação de conteúdo ou produtos de campanha.

Nesta quinta‑feira (8), a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou à Procuradoria‑Geral Eleitoral uma denúncia pedindo a identificação dos responsáveis e a investigação de eventuais crimes eleitorais, incluindo uso de estrutura comercial para propaganda ou aliciamento de eleitores, previsto no Código Eleitoral. Publicado em 08/10/2026.

Os desdobramentos incluem pedidos de investigação por autoridades eleitorais e possíveis ações judiciais por parte da campanha indicada; o caso permanece sob apuração.

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