Lula afirmou que o PT vai recorrer à Justiça para contestar a suspensão do canal de WhatsApp, decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. O anúncio foi feito antes de ato na Avenida Paulista.
O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (11) que o Partido dos Trabalhadores vai acionar a Justiça contra a suspensão do canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
O anúncio foi feito antes de um ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. Lula informou que o partido vai apresentar pedido judicial para contestar a decisão e buscou enquadrar a medida como intromissão indevida da Justiça Eleitoral no processo eleitoral.
“Vamos hoje entrar na Justiça com um pedido do nosso partido para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”,
Segundo a decisão, assinada pelo presidente do TSE, o canal foi suspenso após pedido da campanha do candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro. A alegação apresentada pela equipe do PL foi de que o canal divulgava desinformação sobre o possível cancelamento de benefícios e programas sociais em caso de vitória do candidato do PL.
O canal “Exército do Lula” foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que apoia a candidatura de Lula. Janones respondeu à suspensão nas suas redes, rejeitando a acusação e afirmando que o objetivo do espaço era mobilizar eleitores e orientar sobre a atuação durante o segundo turno, sem divulgar notícias falsas.
“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”,
Lula também expressou questionamentos sobre a imparcialidade de decisões contrárias à sua candidatura e afirmou perceber, nos últimos dias, uma série de decisões tendenciosas contra o grupo político que o apoia.
“Já venho percebendo, há alguns dias, que existem muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim”,
Kassio Nunes Marques chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, indicado pelo então presidente da República Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro. A suspensão do canal pelo presidente do TSE acontece em meio à disputa do segundo turno e deve provocar debate jurídico sobre limites entre moderação de conteúdo, liberdade de expressão e regras eleitorais.
O PT avançará com a medida judicial ainda hoje, segundo o próprio Lula, e o desfecho dependerá da tramitação da ação nos tribunais competentes. A expectativa é que o caso gere movimentação nas instâncias eleitorais sobre critérios de suspensão de canais e plataformas durante o período de campanha.