Lula prioriza tempo integral, vagas em creche e formação docente; Flávio foca em escolas cívico‑militares, ensino técnico e voucher‑creche. Segundo turno: 25/10/2026.
Os planos de governo dos candidatos à Presidência colocam a educação no centro da disputa, mas com prioridades diferentes: Lula prioriza ampliação da educação integral, creches e formação de professores; Flávio Bolsonaro aposta na expansão de escolas cívico‑militares, no ensino técnico alinhado ao mercado e em voucher para creche.
O segundo turno entre os dois candidatos está marcado para o dia 25/10/2026. No material de campanha, Lula apresenta a educação como “pacto inegociável com o futuro” e define metas explícitas, enquanto o plano de Flávio insere a educação no eixo “Brasil que prepara – para sua família ter as ferramentas para vencer”, com ênfase na preservação de valores familiares e na aproximação entre escolas e empresas.
“a educação é um pacto inegociável com o futuro, um investimento essencial para o desenvolvimento sustentável, inclusivo e soberano do Brasil”
No campo da educação infantil, os documentos divergem em instrumentos e metas. Flávio prioriza o método fônico para alfabetização e promete ampliar oferta de creche em período integral com alimentação e foco no desenvolvimento; quando não houver vaga pública, o plano prevê a concessão de um voucher‑creche à família, sem detalhar a origem dos recursos.
Lula tem meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030, por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, e propõe a continuidade da construção de 3.562 creches e pré‑escolas em 2.360 municípios pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de retomar obras de equipamentos educacionais paralisadas.
Sobre financiamento, o plano de governo de Flávio condiciona repasses orçamentários a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem. Lula pretende manter a política de reajuste do Piso Nacional do Magistério, calculado com base na Lei 15.437/26, como referência obrigatória para o vencimento‑base inicial da carreira docente.
Na frente da aprendizagem, Lula propõe instituir uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração das aprendizagens, com foco especial nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio, além de ampliar o acervo da biblioteca digital da plataforma MEC Livros e incluir novas línguas no MEC Idiomas. Flávio anuncia o Programa Acolher, que remunerará alunos com bom desempenho para oferecer reforço a colegas com dificuldades.
Quanto às escolas, o plano de Flávio destaca a expansão das escolas cívico‑militares e a defesa de uma “escola que ensina, e não que doutrina, respeitando os valores que os pais passam em casa”; o programa também prevê transferir o ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e reformular o ensino técnico para aproximar escolas e empresas.
“uma escola que ensina, e não que doutrina, respeitando os valores que os pais passam em casa”
Na área de professores, Lula dá ênfase à formação docente e a programas como Pé‑de‑Meia Licenciatura e Bolsa Mais Professores para atrair e manter docentes em áreas carentes. Flávio menciona capacitação continuada baseada em evidências científicas, sem detalhar mecanismos de implementação.
As propostas desenhadas pelos dois candidatos terão impacto direto nas redes estaduais e municipais, inclusive na Bahia, onde gestores locais terão de dialogar com medidas como expansão de creches, condicionamento de repasses por resultados e projetos de tempo integral. Com o segundo turno em 25/10/2026, a implementação dessas medidas dependerá das prioridades do próximo governo e do diálogo com parlamentares e governos subnacionais.
Publicado em 15/10/2026.