América Latina: Brasil aposta em pragmatismo após vitórias da direita
Um dos exemplos que indicam esse caminho é o interesse do presidente do Chile, José António Kast, em uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do Mercosul, nesta semana.
O pedido de ajuda de Rodrigo Paz ao Brasil, no contexto dos protestos na Bolívia, e a resposta cordial do presidente eleito da Colômbia à manifestação de Lula pela sua vitória, também indicariam que a as relações entre Brasil e seus vizinhos de direita vão se pautar pelos interesses concretos de cada nação.
Meio ambiente entre Brasil e Colômbia
Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia – Reuters/Nathalia Angarita/Proibida reprodução
Por outro lado, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes pondera que, mesmo que as relações bilaterais continuem, a situação geopolítica na América do Sul é “delicada”, entre outros motivos, devido ao perfil dos mandatários da extrema-direita.
“Nós não estamos falando mais de governos de direitas convencionais. Nós vamos lidar ainda com o governo na Colômbia, de alguém que não tem o perfil da direita convencional colombiana”, afirmou à Agência Brasil.
Menezes acrescenta que a Colômbia vinha contrabalanceando o afastamento da Argentina nas relações com o Brasil. Ele acredita que a cooperação na proteção do meio ambiente entre os dois países, vista durante do governo de Gustavo Petro, deve ser prejudicada.
“Temas ligados à Amazônia serão afetados. O Brasil vinha dialogando muito estreitamente com a Colômbia. Vale lembrar, em agosto de 2023, que a cúpula da Amazônia foi uma iniciativa Brasil-Colômbia. O tema ambiental, que é chave neste momento, está estremecido”, completou.
Reunião dos Chefes de Estado e de Governo na Cúpula da Amazônia, em Belém (PA). – Ricardo Stuckert/PR
O tema da defesa da democracia no continente é outro que deve ser afetado pelo avanço de governos de extrema-direita na América Latina, avalia o professor da UnB.
O especialista cita ainda as relações comerciais dos países do continente com a China, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta interromper.
“O Brasil, nesse momento, está numa situação que a gente não viu nos últimos 20 anos. Ou seja, governos que estão alinhados e são subservientes aos EUA e que, na América do Sul, nós temos só Brasil e Uruguai que não está nessa agenda pró-Trump”, completou.