A Apple e a SpaceX estão em disputa pelo avanço das comunicações via satélite, uma tecnologia que promete eliminar os pontos cegos de conexão para celulares de acordo com o jornal The Wall Street Journal. A briga envolve desde investimentos bilionários até pressão sobre reguladores para garantir acesso exclusivo a faixas de frequências.
A Apple tem apostado na tecnologia de satélite para garantir conectividade onde as redes móveis tradicionais não alcançam. A empresa firmou uma parceria com a Globalstar e já investiu mais de US$ 1 bilhão na operadora para ampliar sua capacidade. Já a SpaceX, de Elon Musk, lançou mais de 550 satélites para viabilizar seu serviço Starlink de internet e telefonia via satélite.
O conflito se intensificou com a disputa pelo espectro de frequências, um recurso escasso e essencial para a transmissão de sinais. A SpaceX solicitou à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) que rejeitasse um pedido da Globalstar para ampliar sua rede financiada pela Apple, alegando que a empresa não estaria utilizando adequadamente as ondas de rádio.
As tensões também aumentaram após tentativas da SpaceX e da T-Mobile de viabilizarem um serviço de celular via satélite compatível com iPhones. Depois de negociações, um acordo foi fechado para permitir que o serviço da T-Mobile e SpaceX funcione em modelos mais recentes do smartphone da Apple.
Para a Apple, oferecer conexão em locais remotos pode aumentar a adesão a seus dispositivos e tornar o iPhone ainda mais atrativo. Para a SpaceX, ampliar sua rede de comunicação significa consolidar o Starlink como um serviço essencial em escala global. Apesar da disputa, as empresas também têm uma relação de dependência: a Globalstar contratou a SpaceX para lançar os satélites que garantem o serviço da Apple.
A Starlink opera com satélites de baixa órbita que fornecem internet de alta velocidade e baixa latência, sem depender de torres ou redes de fibra ótica, como ocorre na banda larga convencional. Esse modelo tem se mostrado uma solução viável para moradores de áreas rurais e regiões isoladas, onde a instalação de infraestrutura terrestre é considerada cara e pouco rentável para as operadoras tradicionais. Outras empresas, como a Amazon, também estão entrando nesse mercado: a gigante do varejo recebeu aval da Anatel para lançar, ainda em 2024, uma constelação de 3,2 mil satélites.
A SpaceX, com sua vasta frota de satélites Starlink, tem vantagem tecnológica em relação à Apple, que depende da Globalstar. Analistas apontam que a fabricante do iPhone precisaria diversificar suas parcerias para garantir espectro suficiente para expandir seu serviço. Nos últimos anos, a Apple tentou negociações com outras operadoras de satélite, incluindo a EchoStar, e chegou a discutir uma parceria com a Boeing, que não prosperou.
No Brasil, a SpaceX busca ampliar sua presença. Em dezembro de 2023, a Starlink solicitou à Anatel autorização para colocar em órbita mais 7,5 mil satélites de sua segunda geração, utilizando frequências nas bandas Ka, Ku e E – esta última ainda inédita para esse tipo de serviço. A proposta foi analisada pela Superintendência de Outorga e Recursos à Prestação da agência, que, em novembro de 2024, elaborou uma minuta de ato para ser avaliada pelo conselho diretor. No entanto, o processo não chegou a ser votado.