A Confederação Nacional de Mulheres “Bartolina Sisa”, uma das principais organizações camponesas do país, publicou na última sexta-feira (15) a decisão de convocar todas as organizações locais a se juntarem às marchas e aos bloqueios.
A entidade denunciou que o governo reprime os protestos enquanto diz que está aberto ao diálogo e pede renúncia de Paz que, segundo a Confederação, perdeu as condições de governar a Bolívia.
“De forma violenta e criminosa o governo interveio na mobilização do povo deixando como saldo falecidos, feridos e detidos em consequência da brutalidade da polícia e do Exército”, afirma nota da Confederação campesina publicado nesse domingo (17).
Ainda segundo a organização, o governo somente trabalha para um setor privilegiado, esquecendo-se das maiorias. “Pretende com seus decretos e leis inconstitucionais tirar nossas terras para entregar aos latifundiários”, completou.
Governo denuncia movimentos populares
Por outro lado, o governo acusa movimentos populares de usarem armas de fogo, inclusive dinamites, nas mobilizações. Foi divulgando um suposto vídeo dos Ponchos Vermelhos, grupo campesino da Bolívia, com espingardas em uma rodovia com gritos de “não temos medo” e “vamos defender a pátria”.
O porta-voz da Presidência da Bolívia, José Luis Gálvez, acusou grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales de incitarem a violência.
“Todos esses indivíduos que estão promovendo a violência, e qualquer pessoa que possua ou porte qualquer arma, dinamite ou qualquer coisa que possa ferir outra pessoa, será presa”, disse Gálvez em comunicado divulgado pela mídia estatal boliviana.
Evo Morales
O ex-presidente Evo Morales responde que os protestos são do povo boliviano, não dele. Ele denuncia o governo por usar as Forças Armadas para reprimir a população e critica a criminalização das marchas.
“[Eles acusam] as pessoas que se levantaram contra os opressores de conspiração, terrorismo e tráfico de drogas. Os eternos golpistas, assassinos em massa, traidores e executores da Operação Condor têm a audácia de clamar que a democracia está em risco”, respondeu em uma rede social.
A Central Operária Boliviana (COB), principal central sindical do país, denuncia a prisão de lideranças e pede para a população seguir nas ruas.
“Não nos vão curvar na luta que travamos; estão querendo nos calar como liderança com ações populares e processos penais”, afirmou Mario Argollo, secretário-executivo da COB, em uma rede social.
Fonte: Agência Brasil