O maior terremoto registrado em Mianmar em mais de um século resultou na trágica perda de ao menos 2.065 vidas e deixou mais de 3.900 feridos, de acordo com as autoridades locais. A magnitude do tremor foi de 7,7, e as operações de busca por sobreviventes continuam mesmo três dias após o desastre.
O impacto do terremoto foi sentido em países vizinhos, como Tailândia e China. Em Bangkok, um arranha-céu em construção desabou, resultando em 18 mortos, com cerca de 80 desaparecidos. “Liguei para meu marido, que está preso lá dentro, inúmeras vezes… prováveis 100 a 200 ligações por dia, mas nenhuma completada”, afirmou Kannika Noommisri à Reuters.
A janela “dourada” de 72 horas após um terremoto é crucial para encontrar sobreviventes, pois a falta de água reduz drasticamente as chances de sobrevivência. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de mortos pode eventualmente ultrapassar 10 mil pessoas.
Além dos danos causados pelo tremor, Mianmar enfrenta o risco de liquefação do solo, um fenômeno que pode agravar os danos. Estruturas colapsaram, e pontes caíram, dificultando ainda mais o acesso das equipes de resgate.
Este desastre ocorre em um contexto crítico para Mianmar, que já enfrenta uma guerra civil desde 2021, danificando redes de comunicação, destruindo hospitais e deixando milhões sem abrigo e sem acesso a alimentos. Em resposta à calamidade, a junta militar do país fez um apelo inédito por ajuda internacional, e equipes de resgate de fora já começaram a chegar.
Desde a sexta-feira (28), tremores secundários têm sido registrados, incluindo um de magnitude 6,7, o abalo mais forte desde o terremoto de 7,9 que atingiu a cidade de Taunggyi em 1912.