sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Navi Pillay ganha Nobel da Paz 2026 por defesa dos direitos humanos

Navi Pillay ganha Nobel da Paz 2026 por defesa dos direitos humanos

por R2Sites

Publicado em 09/10/2026,

às 00h00

A jurista sul-africana Navanethem 'Navi' Pillay, 85, foi laureada por décadas de defesa do direito internacional e dos direitos humanos. O Comitê Nobel da Noruega anunciou a escolha nesta sexta-feira.

O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi atribuído à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, anunciou nesta sexta-feira (09/10/2026) o Comitê Nobel norueguês. Aos 85 anos, Pillay foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional.

O anúncio foi feito pelo presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes. Pillay foi ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e atuou como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos; a comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.

No comunicado do Comitê, o presidente Jorgen Watne Frydnes destacou a importância do direito internacional e das instituições judiciais diante do aumento de conflitos globais. No anúncio, ele afirmou:

“No momento em que o número de guerras e conflitos está aumentando e em que os juízes e as instituições de direito internacional estão sob ataque político, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional”

Em seguida, o presidente acrescentou:

“Um sistema jurídico internacional em que os criminosos de guerra sejam responsabilizados e as vítimas de abusos vejam a justiça ser feita é condição essencial para um mundo pacífico”

Pillay cresceu na África do Sul sob o regime de segregação racial do apartheid e tornou-se uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a exercer a advocacia no país, destacando-se na defesa de ativistas antiapartheid. Como juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, ela contribuiu para o estabelecimento do marco jurídico que reconhece a violação sexual como ato de genocídio e crime de guerra.

O Nobel da Paz de 2026 sucede o prêmio entregue em 2025 à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que recebeu o reconhecimento pelos seus “esforços incansáveis” na promoção dos direitos humanos e das liberdades na Venezuela e no fomento de uma transição “justa e pacífica” da “ditadura para a democracia”. Segundo informação divulgada anteriormente, María Corina Machado entregou sua medalha do Nobel ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco depois de Washington ter deposto o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O Comitê Norueguês do Nobel recebeu, neste ano, nomeações para 287 candidatos ao prêmio, sendo cerca de um quarto dessas indicações de organizações. O reconhecimento a Pillay reforça o foco do prêmio na defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes de guerra em um período marcado por tensões e múltiplos conflitos.

A escolha de Navanethem “Navi” Pillay destaca trajetórias que unem litígio, política internacional e proteção de direitos humanos, e coloca novamente em evidência debates sobre justiça internacional, mecanismos de responsabilidade e investigação de violações em zonas de conflito.

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