sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Produtores e cozinhas solidárias reforçam combate à fome no Brasil

Produtores e cozinhas solidárias reforçam combate à fome no Brasil

por R2Sites

Publicado em 16/10/2026,

às 00h00

Produtores familiares e cozinhas comunitárias celebram o Dia Mundial da Alimentação e dizem que a ação conjunta ajudou a manter a subnutrição abaixo de 2,5%. Em Brasília, o Cantinho da Vovó amplia atendimento.

Produtores da agricultura familiar e líderes de cozinhas solidárias comemoram o Dia Mundial da Alimentação, nesta sexta-feira (16), e afirmam que o esforço coletivo é decisivo para manter o Brasil fora do Mapa da Fome.

Em julho deste ano, a Organização das Nações Unidas reafirmou que o país manteve abaixo de 2,5% o percentual da população subnutrida nos últimos três anos. A manutenção desse índice é atribuída, em parte, ao trabalho articulado entre produtores locais e cozinhas comunitárias que operam em zonas urbanas e periféricas.

Em Brasília, a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, também chamada Comidinhas da Vovó, é citada como exemplo: a iniciativa atende mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade e, além do preparo de refeições, entrega 200 cestas básicas a famílias cadastradas. Três vezes por semana, dona Maria e outros 37 voluntários se revezam nas tarefas de separação, armazenamento, preparo dos alimentos, arrumação das mesas e recepção.

“É o momento em que a gente se aproxima para conversar aqui dentro desse espaço que alimenta, onde a gente cultua o alimento como sagrado, como cura. Por isso, é feito com muito zelo”,

diz dona Maria, liderança comunitária à frente da cozinha solidária localizada na Vila Planalto.

A produção que abastece parte das atividades vem de sistemas agroflorestais implantados em áreas urbanas. A produtora Hosana Alves do Nascimento transformou uma área em São Sebastião (DF) num sistema que combina hortaliças, verduras e raízes com árvores frutíferas e oleaginosas. A produção é definida como agroecológica, por não utilizar agrotóxicos.

“Como é uma área pequena, então a gente otimizou para dar muita coisa. A nossa produção é considerada agroecológica, porque não usa veneno”,

afirma Hosana. Ela lembra também episódio em que a falta de acesso a frutas chamou atenção:

“Em uma das entregas, um menininho perguntou à mãe: ‘Nós vamos comer melancia?’ Aquilo me doeu por dentro, de a criança não ter acesso a uma simples melancia”,

conta a produtora.

O vínculo entre produtores e cozinhas foi formalizado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), política pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário que compra produtos da agricultura familiar e os destina a cozinhas solidárias. Essas cozinhas, por sua vez, integram políticas do Ministério do Desenvolvimento Social voltadas ao atendimento de populações em situação de insegurança alimentar.

“Essa parceria faz com que nós consigamos entregar comida de verdade, alimentos produzidos pela agricultura familiar, alimentos saudáveis, em regiões onde nem sempre o Estado consegue estar presente por meio da sua institucionalidade”,

diz Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social.

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, lembra que grande parte das cozinhas comunitárias nasceu da ação da sociedade civil durante a pandemia, como resposta ao agravamento da insegurança alimentar quando o país ainda constava no Mapa da Fome.

“que se organizou durante a pandemia e criou esses espaços da cozinha solidária”

O aprendizado das articulações entre produtores, cozinhas e políticas públicas aponta para desafios e prioridades: ampliar a capilaridade do PAA, fortalecer a produção agroecológica em áreas urbanas e garantir regularidade nos repasses para que as cozinhas mantenham a oferta de alimentos variados e saudáveis. O movimento mostra que, além de assistência, há um componente de acolhimento comunitário que complementa a segurança alimentar.

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