quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Professora usa IA para mostrar alunos do 4º em profissões do futuro

Professora usa IA para mostrar alunos do 4º em profissões do futuro

por R2Sites

Publicado em 15/10/2026,

às 00h00

Uma atividade com inteligência artificial realizada por uma professora de Campinas (SP) provocou emoções entre alunos de 9 e 10 anos ao projetar imagens deles no futuro, exercendo as profissões que desejavam. A iniciativa, com fotos tiradas em 2025 de 31 estudantes do 4º ano da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, viralizou nas redes sociais e chamou atenção pela proposta de valorização das escolhas profissionais infantis.

Giovanna Macedo, de 27 anos, idealizou a experiência a partir da pergunta clássica: “O que você quer ser quando crescer?”. O resultado mostrou as crianças representadas como jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina, cantor, artista, entre outras ocupações, e rendeu um vídeo com reações emocionadas que circulou amplamente.

“Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles, que têm potencial para irem além.”

Giovanna comemorou, neste 15 de outubro, Dia do Professor, mais um ano de atuação no magistério — ela entrou na carreira em 2018, quando tinha 19 anos, e acumula oito anos como docente. A professora reconheceu não ter formação específica em inteligência artificial, mas disse que segue antenada nas inovações e usa tecnologias de forma intuitiva para produzir recursos visuais que tornem as aulas mais atrativas.

“Mais do que utilizar uma tecnologia nova, nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade das crianças, fortalecer a autoestima e ampliar os horizontes delas. Quanto mais conseguirmos mostrar o que são capazes de aprender, criar e sonhar, mais sentido terá o nosso trabalho.”

Após a repercussão da atividade, Giovanna afirmou ter planos de fazer uma especialização em metodologias e didática para aprimorar o uso de novas tecnologias e disse esperar que a experiência inspire outros educadores a explorar metodologias criativas que aproximem conteúdos escolares da realidade dos alunos.

No debate sobre cultura digital e formação de professores, gestoras e formadores destacaram a necessidade de preparar docentes para mediar o uso da IA na escola. Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, no Rio de Janeiro, ressaltou que facilidade técnica com aparelhos não equivale a capacidade de pesquisa crítica ou a noção dos riscos de compartilhamento de dados.

“Uma criança pode ter facilidade para mexer no celular e, ainda assim, não saber pesquisar com profundidade, identificar uma informação falsa ou compreender os riscos de compartilhar determinados dados.”

Para Kassula, as ferramentas digitais devem ser incorporadas considerando as diversidades em sala de aula e preservando a escola como ambiente de desenvolvimento socioemocional: lugar de convivência, aprendizagem sobre dificuldades e autoconhecimento.

Marcio Luiz Dias, professor com 13 anos de atuação na formação de docentes em tecnologias educacionais e foco em inteligência artificial, afirmou que a formação continuada é indispensável, já que as mudanças no campo digital ocorrem em alta velocidade e os currículos das licenciaturas nem sempre acompanham esse ritmo. Nas capacitações oferecidas pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), disse ele, a orientação é que os professores superem o uso meramente instrumental das ferramentas.

“O Currículo em Movimento das Escolas Públicas do DF preconiza que a formação continuada extrapole o uso instrumental das tecnologias e passe para o uso crítico, colaborativo e focado na intencionalidade pedagógica.”

O episódio em Campinas evidencia a tensão entre inovação e formação: enquanto iniciativas com IA podem ampliar horizontes e autoestima dos alunos, especialistas apontam que é preciso investimento em capacitação docente, reflexões sobre ética e privacidade e políticas escolares que garantam uso pedagógico intencional das tecnologias. Giovanna segue com planos de qualificação e os exemplos citados sugerem que a formação continuada será parte central do debate sobre tecnologia na educação nos próximos anos.

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