Desde 14/10, agências com Balcão Cidadão recebem gratuitamente aparelhos pós-consumo de até 30 kg. Os pontos integram o Sistema de Logística Reversa Circulare por parceria com a Circular Brain, que amplia a coleta.
Todas as 6.868 agências dos Correios que dispõem do serviço Balcão Cidadão disponibilizaram, a partir desta quarta-feira (14), Dia Internacional do Lixo Eletrônico, a coleta gratuita de eletroeletrônicos pós-consumo. O atendimento recebe equipamentos de até 30 quilos e integra pontos de entrega em todo o país.
O serviço é gratuito e os pontos de coleta dos Correios agora integram o Sistema de Logística Reversa Circulare, por meio de parceria com a empresa Circular Brain, que já realizava a coleta gratuita de grandes eletrodomésticos. Serão recebidos itens como celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletroeletrônicos de pequeno porte, que devem ser acondicionados em uma caixa aberta de até 1 metro cúbico. Pilhas, baterias e lâmpadas não poderão ser descartadas nas agências.
Na agência dos Correios, o cliente faz a entrega do volume para checagem do conteúdo pelo atendente e informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone para a emissão de um comprovante de envio. O fechamento da embalagem é feito no local. Cada equipamento será destinado ao parceiro do sistema de logística reversa que esteja homologado junto à rede, e todo o processo será rastreado até a destinação final de cada item.
“Milhões de brasileiros já utilizam as agências dos Correios em seu dia a dia. Agora, essa capilaridade também contribui para que a população tenha mais facilidade para dar a destinação correta a equipamentos eletrônicos sem uso”.
A iniciativa amplia a capilaridade de pontos de entrega voltados ao descarte correto de pequenos aparelhos eletrônicos, buscando reduzir o acúmulo doméstico desses itens e facilitar a logística reversa exigida por normas ambientais. Segundo Marcus Oliveira, diretor executivo da Circular Brain, muitas pessoas guardam esses pequenos eletrônicos em casa por não saberem como dar a destinação adequada e por não haver ponto de entrega voluntária em suas cidades.
“Agora, é só juntar os aparelhos numa caixa e passar no Correio mais próximo quando for resolver outra questão”.
O anúncio ocorre em um contexto em que o Brasil enfrenta desafio relevante no manejo de resíduos eletrônicos. De acordo com o último Monitor Global de Resíduos Eletrônicos, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2024, o país é o terceiro maior gerador de resíduos eletrônicos na América do Sul, produzindo 2,4 milhões de toneladas ao ano. Desse total, apenas 3% são coletados, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e do decreto 10.240/2020, que obrigam fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a estruturar a logística reversa de eletroeletrônicos de uso doméstico.
“Quando ficam parados em casa, sem utilidade, esses eletrônicos deixam de ser reciclados. Com isso, a indústria perde muitas matérias-primas que poderiam voltar à cadeia produtiva sem a necessidade de explorar novamente o meio ambiente”.
A integração das agências ao sistema de logística reversa e o rastreamento de cada equipamento representam os próximos passos práticos para garantir a destinação final adequada e ampliar a taxa de coleta. A expectativa é que a facilitação do descarte em pontos já presentes nos municípios aumente a adesão da população ao procedimento correto e reduza o impacto ambiental e a perda de materiais reaproveitáveis.