sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Deputada eleita Ana Elisa denuncia ameaças de morte e violência sexual durante campanha

Deputada eleita Ana Elisa denuncia ameaças de morte e violência sexual durante campanha

por R2Sites

Publicado em 08/10/2026,

às 00h00

A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva (PT), 21 anos, denunciou à Polícia Civil ter recebido mensagens com ameaças de morte e violência sexual durante a campanha eleitoral de 2026. Segundo a parlamentar eleita, as mensagens também traziam ataques racistas e machistas e expunham dados pessoais, como endereço residencial, telefone e documentos, o que levou o partido a contratar segurança armada para sua proteção.

Ana Elisa divulgou prints de um e-mail recebido no dia 5 de setembro. No texto, o remetente se dizia integrante do grupo de direita e supremacista branco Ku Klux Klan e afirmava que pessoas como ele não toleram mulheres pretas em espaços de poder, além de descrever como pretendia agredi-la sexualmente. A divulgação das mensagens ocorreu nas redes sociais da parlamentar eleita durante a campanha.

A mineira recebeu 524.219 votos nas eleições de 2026, ficando em 2º lugar entre os mais votados de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Com esse resultado, tornou-se a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara e a deputada federal mais jovem eleita no país. Natural de Divinópolis, no centro-oeste mineiro, Ana Elisa é estudante de Direito e atuava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Durante a campanha ela alcançou quase 2 milhões de seguidores no Instagram; atualmente já soma mais de 3 milhões.

“Chegando em Minas Gerais, já terei escolta”

Organizações da sociedade civil entregaram, no final de setembro, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com diversas denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os relatos incluem agressões físicas e verbais, além de ameaças e ataques que variam de insultos a ameaças de estupro e morte. Dados do próprio tribunal apontaram que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026.

O caso de Ana Elisa insere-se nesse contexto mais amplo de aumento de ataques a mulheres na política, com efeitos práticos sobre segurança, liberdade de atuação e participação política feminina. A denúncia formal à Polícia Civil dá sequência a um caminho institucional que pode envolver também a Justiça Eleitoral e o Ministério Público, caso sejam identificados crimes eleitorais ou ameaça à integridade física e moral.

Onde buscar orientação e denunciar

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas; denúncias pelo telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail central180@mulheres.gov.br e por videochamada em Libras.
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público: canal de orientação institucional.
  • Procuradoria-Geral Eleitoral / Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal: para orientações e encaminhamentos relacionados ao processo eleitoral.
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): atendimento e registro de ocorrências.
  • Polícia Federal: por meio do canal Comunica PF e nas delegacias de polícia nos estados; em casos de emergência, acionar a Polícia Militar pelo 190.
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU): assistência e orientação jurídica para mulheres em situação de violência política.

As medidas a seguir dependem das apurações policiais e de eventuais procedimentos na esfera eleitoral e criminal. A tramitação e eventuais responsabilizações ocorrerão conforme o andamento das investigações e das ações apresentadas pelas autoridades competentes.

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