O FMI reduziu a projeção regional para 2026 a 2,3% no relatório divulgado em Bangcoc. Também cortou a previsão para 2027 a 2,5% e alerta que a região aproveita pouco o boom da inteligência artificial.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as previsões de crescimento da América Latina e do Caribe, projetando agora um avanço regional de 2,3% para este ano, segundo o relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira (13) em Bangcoc.
A nova estimativa representa queda frente ao crescimento de 2,5% previsto para 2025 e também em relação à previsão de julho, que apontava 2,4% para 2026. Para 2027, a projeção regional foi reduzida de 2,7% para 2,5%.
O relatório observa que a maior parte da região está se beneficiando pouco do boom da inteligência artificial, que tem ajudado outras economias a absorver o choque energético decorrente da guerra no Oriente Médio. Em paralelo, o FMI elevou ligeiramente sua previsão de crescimento mundial para este ano, de 3,0% (estimativa de julho) para 3,1%, atribuindo essa resiliência ao redirecionamento dos suprimentos de energia e aos investimentos ligados à IA.
“há pouca compensação proveniente da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países”
O conflito no Oriente Médio também transformou a energia em um choque inflacionário global: o petróleo Brent está cerca de 45% acima do nível pré-guerra, segundo o documento. O aumento dos custos de combustível e energia pressiona famílias e empresas e elevou os custos globais de financiamento a patamares não vistos em várias décadas.
Para economias da região, o impacto do choque energético vai depender de os ganhos dos exportadores de commodities superarem as perdas dos importadores de energia e da credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais, observou o relatório.
No detalhamento por países, a Argentina teve a maior revisão: o FMI agora projeta crescimento de 2,1% para este ano, ante 4,5% em 2025, bem abaixo da previsão de julho de 3,5%. A previsão para 2027 caiu de 4,0% para 3,5%, e a inflação deverá recuar para 32,5% neste ano, de 41,9% em 2025.
O Brasil teve suas previsões reduzidas para 2,2% neste ano e 1,9% em 2027, ante projeções anteriores de 2,4% e 2,2% em julho. O FMI citou condições monetárias ainda restritivas, a retirada do apoio fiscal do governo e a incerteza global como fatores que irão desacelerar o crescimento.
Já o México teve a previsão para 2026 elevada de 1,2% para 1,5%, com o Fundo apontando agora para o papel das exportações — inclusive via cadeias de suprimento relacionadas à IA — e para um investimento que se estabiliza. Para 2027, a projeção do México foi reduzida de 1,9% para 1,8%, com comércio e outras incertezas ainda freando a atividade.
As tabelas do relatório também mostram recuos e choques severos em outros países: crescimento do Chile despencando de 2,5% para 0,6% neste ano; a economia da Bolívia projetada para encolher 3% após contração de 1,6% em 2025; e a inflação na Venezuela acelerando de 252% para 467,9%.
“economia global dividida”
O FMI advertiu que os riscos continuam inclinados para o lado negativo: turbulência nos mercados pode afetar economias emergentes por meio de custos mais altos de endividamento público, pressão sobre moedas e condições financeiras locais mais restritivas. Para a região, as projeções revistas reforçam a necessidade de políticas macroeconômicas críveis e de estratégias para mitigar efeitos do choque energético e aproveitar potenciais ganhos de produtividade vinculados à tecnologia.