A entrega dos pedidos foi marcada para quinta-feira às 11h após rodada de negociações entre as campanhas. A iniciativa começou no debate da Band, quando Lula propôs a quebra de sigilos, e foi formalizada no dia seguinte.
O ex-presidente Lula aceitou as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro para a abertura de sigilos e ficou marcada a apresentação dos pedidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira, às 11h. A definição foi fechada depois de uma rodada de propostas e contrapartidas entre as campanhas.
O processo começou ainda no domingo, durante o debate na Band, quando Lula propôs a quebra dos sigilos bancário e telefônico. No dia seguinte, o pedido foi oficialmente encaminhado ao TSE. Na quarta-feira, Flávio Bolsonaro informou que concordava com a abertura dos sigilos, mas encaminhou quase 20 exigências, que Lula acabou aceitando.
Entre os pedidos apresentados por Flávio estão a abertura do sigilo dele próprio, da esposa, da mãe, do pai (o ex-presidente), dos irmãos e de empresas vinculadas, com atenção especial à Alcazar Holdings, empresa na qual ele aparece como “usuário master”, segundo o pedido inicial de Lula. Flávio também solicitou a quebra de sigilos de terceiros, incluindo Marcola, identificado como ex-chefe de gabinete do ex-presidente, e do filho do presidente, Fábio Luís, além de requerer acesso a sigilos de empresas relacionadas.
Outras exigências apresentadas por Flávio englobam pedidos ligados ao chamado caso Master: registro de visitas de Daniel Vorcaro na Polícia Federal (PF); registros de visitas de Roberta Luchsinger ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada; acesso a gastos com cartão corporativo; e levantamentos sobre viagens da primeira-dama. Flávio também pediu que todos os documentos fossem assinados individualmente.
Em contrapartida, Flávio autorizaria a abertura de seus sigilos e dos dados de empresas referentes aos últimos 20 anos, incluindo mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. Ele declarou que deixaria de fora a Alcazar Holdings, argumentando não ser sócio nem administrador da empresa, que seria atribuída ao advogado e amigo Willer Tomaz.
O coordenador de campanha do ex-presidente declarou que aceita todas as condições apresentadas por Flávio desde que haja reciprocidade: que Flávio abra seu sigilo e apresente os dados telefônicos e bancários dele e dos familiares relativos aos últimos oito anos. A coordenação de campanha do ex-presidente confirmou presença na sessão marcada no TSE e informou que espera a participação da campanha de Bolsonaro para que ambos cumpram a troca acordada.
Na agenda de campanha, Lula permanece em Brasília gravando material. Flávio Bolsonaro também está em Brasília e fará uma transmissão ao vivo nesta quinta-feira, 22.
O desfecho da negociação levará agora as equipes ao TSE para formalizar os pedidos e confrontar os documentos. O resultado dessa troca de sigilos pode ter impacto nas investigações e no debate público sobre as acusações e a transparência entre as campanhas.