Sondagem Especial 107 da CNI ouviu 1.701 indústrias entre 3 e 12 de agosto sobre condições de crédito entre fev. e jul. Empresas apontam taxas elevadas como principal barreira em curto, médio e longo prazo.
Os juros elevados são o principal obstáculo para a indústria brasileira acessar crédito, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as empresas que enfrentaram dificuldade para obter financiamento, as taxas aparecem como a barreira mais citada tanto em operações de curto e médio prazo quanto nas de longo prazo.
A Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026 ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, sobre as condições enfrentadas entre fevereiro e julho. O universo da pesquisa inclui 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes empresas em todo o país.
“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas.”
Os dados mostram que, nas operações de curto ou médio prazo, 76% das empresas apontaram juros elevados como uma das principais barreiras. No crédito de longo prazo (vencimento superior a cinco anos), a taxa foi citada por 69% dos empresários. Esses percentuais recuaram em relação à pesquisa de 2025, quando os juros foram mencionados por 80% no curto/médio prazo e por 71% no longo prazo.
Principais obstáculos
- Juros elevados: 76% no curto/médio prazo; 69% no longo prazo.
- Garantias reais: 33,4% no curto/médio prazo; 31,5% no longo prazo.
- Burocracia: 13,6% no curto/médio prazo.
- Carência insuficiente: 18,9% no longo prazo.
Além das taxas, a exigência de garantias reais foi o segundo entrave mais citado em operações de curto e médio prazo. A burocracia também apareceu entre as dificuldades apontadas pelos empresários.
Busca por crédito
- Curto/médio prazo: 49,9% não tentaram contratar ou renovar crédito; 22,9% conseguiram; 7,5% tentaram e não obtiveram recursos.
- Longo prazo: 54% não buscaram financiamento; 15,5% conseguiram contratar ou renovar; 9,2% tentaram sem sucesso.
Considerando apenas as empresas que buscaram crédito, a taxa de frustração aumentou frente a 2025: 24,7% no curto/médio prazo (ante 20% em 2025) e 37,2% no longo prazo (ante 33% no ano anterior). As pequenas empresas foram as mais afetadas: no longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram o crédito procurado, contra 29,9% das grandes.
Crédito para despesas
- Capital de giro: 28,7% das empresas que buscaram, contrataram ou renovaram crédito de longo prazo indicaram essa finalidade.
- Máquinas e equipamentos: 23,6% no longo prazo.
- Construção ou instalações: 11,6% no longo prazo.
A pesquisa chama atenção para o uso de linhas de longo prazo para financiar despesas de rotina, como folha de pagamento, materiais e insumos, quando essas operações costumam ser destinadas a investimentos. No curto e médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como principal finalidade do crédito.
Medidas apontadas para facilitar o crédito
- Redução de custos tributários e administrativos: 38,4% no curto/médio prazo; 31,2% no longo prazo.
- Ampliação das linhas públicas: 22,8% no curto/médio prazo; 26,3% no longo prazo.
- Simplificação das exigências bancárias: 21,1% no curto/médio prazo; 22,1% no longo prazo.
Os resultados reforçam que, mesmo com sinais de redução das taxas básicas, o custo do crédito para a indústria permanece elevado e segue sendo apontado como o principal limitador ao acesso a financiamento. A combinação de juros altos, exigência de garantias e problemas de oferta faz com que muitas empresas, sobretudo as pequenas, enfrentem restrições para investir e financiar o capital de giro. As sugestões indicadas pelos empresários — redução de encargos, mais linhas públicas e simplificação de exigências — delineiam prioridades que podem orientar medidas públicas e privadas para ampliar o crédito ao setor.