Protestos estudantis por mais verba à educação, iniciados há um mês na França, viraram confrontos, saques e choque com a polícia. Distúrbios se espalharam por outras capitais e forçaram medidas de ordem.
Prefeituras de Paris e de várias cidades francesas decretaram toque de recolher depois do fim de semana marcado por protestos violentos, saques e confrontos com a polícia. As manifestações, que começaram como atos de estudantes por mais investimentos na educação, se espalham por outros países da Europa e mantêm ruas e centros urbanos em tensão.
Segundo balanço das ocorrências, o movimento que começou há cerca de um mês na França se transformou num confronto persistente entre manifestantes e o governo. Autoridades locais decretaram medidas restritivas após um fim de semana de distúrbios: em Paris manifestantes romperam barricadas e avançaram em direção à entrada do museu do Louvre; em Lille o toque de recolher valerá por dois dias; e em Marselha foram proibidas aglomerações.
Fontes oficiais anunciaram que não há, até agora, sinal de que a situação melhore, e sindicatos franceses convocaram uma nova rodada de greves e protestos para o dia 5 de novembro. Num comunicado divulgado no domingo (18), o presidente Emmanuel Macron afirmou que quem destruir propriedades deve pagar pelo prejuízo e declarou que aqueles que buscaram derrubar a República serão responsabilizados.
Os episódios não ficaram restritos à França. Na Itália, o fim de semana também foi violento: em Milão a polícia entrou em confronto com manifestantes que atiravam pedras e saqueavam lojas. Mais de 60 pessoas foram levadas à delegacia para averiguação e 28 foram detidas. As queixas públicas se concentraram na precariedade dos serviços públicos e no aumento do custo de vida.
Na Albânia, protestos na capital Tirana reuniram cidadãos que apontam suposta corrupção governamental, escassez de empregos e problemas no sistema educacional. Parte da população exige a renúncia do primeiro‑ministro Edi Rama, que rejeitou a ideia de deixar o cargo.
O quadro de mobilizações em vários países europeus amplia a preocupação com a ordem pública e com possíveis repercussões econômicas e sociais: além dos danos materiais relatados, a convocação de greves para 5 de novembro antecipa nova escalada de dissenso nas próximas semanas. Para as prefeituras que decretaram toque de recolher, a medida visa reduzir aglomerações e conter novos confrontos enquanto as investigações e operações policiais seguem em andamento.
As próximas datas já anunciadas — como a convocação de 5 de novembro — serão acompanhadas de perto por autoridades e pela população, que segue dividida entre reivindicações por serviços públicos e ações repressivas do Estado.