Ao TSE, Flávio Bolsonaro aceita levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance dos próprios. Documento foi enviado ao ministro André Mendonça.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) informou, nesta quarta-feira (21/10/2026), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplie o alcance do levantamento de seus próprios sigilos.
Na manifestação enviada ao tribunal, Flávio Bolsonaro estabelece condições específicas para divulgar suas informações financeiras e pessoais. A iniciativa foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso, um dia após Lula autorizar a divulgação de seus dados pessoais com a ressalva de que seu adversário também realize o procedimento.
Exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro
- Marco Aurélio Santana Ribeiro: pedido para que sejam divulgados dados relacionados ao ex-chefe de gabinete do presidente.
- Roberta Luchsinger: solicitação para que sejam tornados públicos os registros de entrada da empresária no Palácio do Planalto.
- José Ferreira da Silva (Frei Chico): exigência para liberação dos sigilos do irmão de Lula.
- Outras condições: a petição menciona ainda outras exigências para que a divulgação dos sigilos de Flávio ocorra.
Segundo o candidato do PL, o pedido apresentado por Lula ao TSE representa uma “verdadeira aberração jurídica”. O candidato também sustentou que o adversário poderia divulgar seus extratos sem necessidade de encaminhar o caso ao tribunal.
“verdadeira aberração jurídica”
As petições de ambos os candidatos foram remetidas ao mesmo relator, o ministro André Mendonça. O encaminhamento ao relator centraliza no tribunal as solicitações de levantamento de sigilos e abre caminho para que o TSE avalie os limites e as condições legais para a divulgação de dados pessoais e financeiros dos candidatos.
O impasse sobre a quebra de sigilos envolve, além da divulgação de extratos e registros telefônicos, questões sobre alcance temporal — no caso, os “últimos 20 anos” apontados na manifestação de Flávio — e sobre a divulgação de informações de terceiros ligadas aos candidatos. No contexto da campanha, decisões do TSE sobre pedidos dessa natureza podem influenciar a agenda de transparência entre concorrentes e as estratégias de resposta pública.
Com as petições em mãos do relator, o próximo passo formal será a análise técnica e jurídica dos pedidos no âmbito do tribunal, que poderá definir se autoriza, restringe ou condiciona o levantamento dos sigilos conforme os parâmetros legais. A tramitação e eventuais decisões do TSE devem ser acompanhadas pelos envolvidos e poderão repercutir na campanha presidencial.